25.2.06

Confissão

Que dizer?

Em 2005 os confessionários da Cova da Iria bateram o recorde de afluência dos últimos cinco anos.
Segundo dados revelados pela reitoria do Santuário, o sacramento da reconciliação foi procurado por 187 122 pessoas, só no ano passado. Este índice de confissões foi o mais alto desde o ano 2000, verificando-se um aumento de 10 824 crentes confessados em relação a 2004.
Que se passa nas paróquias?
Será que as pessoas voltaram de novo à confissão?

16.2.06

A canção do irmão

A Força do Amor


Como qualquer mãe, quando Karen soube que estava grávida, fez todo o possível para ajudar o seu outro filho, Micael, com cinco anos de idade, a se preparar para a chegada. Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias Micael cantava perto da barriga de sua mãe. Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer.
A gravidez decorreu normalmente.
No tempo certo, vieram as contracções. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; então, a cada minuto uma contracção. Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Karen demorou horas. Todos discutiam a necessidade provável de uma cesariana.
Até que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de Michael nasceu. Só que ela estava muito mal. Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Saint Mary.
Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais: "Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças". Karen e seu marido começaram, então, os preparativos para o funeral.
Alguns dias atrás estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebé. Hoje, os planos eram outros. Enquanto isso, Micael todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha."Eu quero cantar pra ela", dizia ele. A segunda semana de UTI entrou e esperava-se que a bebé não sobrevivesse até o final dela.

Micael continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI. Entretanto, Karen decidiu: ela levaria Michael ao hospital de qualquer jeito. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez não a visse viva.
Vestiu Michael com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital.
A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o retirasse dali. Mas Karen insistiu: "Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!" Ela levou Micael até à incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida. Depois de alguns segundos a olhar, ele começou a cantar, com sua voz pequenininha: "Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro..." Nesse momento, a bebé pareceu reagir.
A pulsação começou a baixar e se estabilizou. Karen encorajou Micael a continuar cantando.
"Você não sabe, querida, quanto eu te amo. Por favor, não leve o meu sol embora..." Enquanto Micael cantava, a respiração difícil da bebé foi-se tornando suave.
"Continue, querido!", pediu Karen, emocionada.
"Outra noite, querida, eu sonhei que você estava em meus braços... "A bebé começou a relaxar. "Cante mais um pouco, Michael." A enfermeira começou a chorar.
"Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro... Por favor, não leve o meu sol embora...
"No dia seguinte, a irmã de Michael já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa.
O Woman's Day Magazine chamou essa história de "O milagre da canção de um irmão". Os médicos chamaram simplesmente de milagre.
Karen chamou de milagre do amor de Deus.
Deus é grande! - dizia.

5.2.06

Casamento homossexual

Sim ou não?


Com o comentário de Godmundo a um post de Jardim de Luz aprendi alguma coisa e por isso o transcrevo aqui quase na íntegra. Espero que o autor não me leve a mal.

«E a pergunta veio por causa do comentário da Caríssimos: é que o casamento civil, sem que eu consiga perceber como, foi promovido pelos próprios católicos a uma espécie de duplo do casamento/matrimónio. Isto é, na minha opinião, uma armadilha muito séria. Ele nasceu quando começou a haver, na "classe alta" do século XIX, situações como a do Principe Carlos e da Camilla. As "conveniências sociais" exigiam um casamento, e, olha! um deles tinha contraído - e descontraído - um matrimónio. Mais nada do que isto.Coincidência engraçada: estou a chegar da Feira da Ladra, onde comprei um livrinho do Padre Mário de Oliveira (então o "padre Mário de Macieira da Lixa", escrito e publicado ainda antes do 25 de Abril. Parei a tomar um café e abri-o. E encontrei uma homilia sobre o "dar-te-ei isto tudo se prostrado me adorares". Dizia ele: cuidado com o Poder, que ainda usa esta linguagem. O que o Poder faz aos cristãos é dizer "leva-me a sério, confia em mim. Diz que as minhas coisas são iguais às tuas coisas. Em troca eu até obrigo toda a gente a respeitar-te. Tudo isto me pertence, vês? Fica tão mais fácil evangelizar". E portanto queria sintetizar o que acho sobre isto tudo:(a) não faço a mais pequena ideia sobre o que pensa deus da homosexualidade. tenho imensa pena. (b) sei o que diz a hierarquia da igreja, ao mais alto nível, e procuro entender a teologia do matrimónio e do amor, sem conseguir (mas deve ser defeito meu). (c) acho o "casamento civil" uma vigarice institucionalizada. Acho que só devia haver uma regulação de alguns efeitos legais de "uniões" (muito poucos) e uma grande protecção da situação das crianças. Mas a "união" em si deve ser feita - e desfeita - pelo simples acto de fazer a mala. Acho mais que há coisas que fazem doer de ridiculas que são (o que é isso de estar no Bilhete de Identidade "estado civil, divorciado"? que insolência é esta?!). Acho que evidentemente a Banca adora a ideia de quem durma comigo fique a responder pelas minhas dividas. E acho outras coisas do mesmo género.(d) acho em particular o argumento último da "procriação" como "fim da familia a ser protegido pelo Estado" um argumento perigosissimo, proque é ainda mais fascista do que os outros. Quero do Estado absoluta distância disso (quer na versão "crescei e multiplicai-vos" quer na hedionda versão chinesa do "filho único"). Aliás, quero absoluta distância do Estado em tudo. (e) os meus amigos homosexuais e bisexuais têm-me ajudado, ao longo da vida, a aprender a reconhecer os terríveis sintomas da insegurança de identidade masculina (recomendo a todos que vejam o assombroso filme "Beleza Americana"). Não gosto muito dos homens (masculino) em geral. São quase sempre demasiado brutos ou demasiado frágeis. O "medo", a "repugnância" e a grosseria para com a homosexualidade escondem, no sótão ou na cave, coisas que só deus sabe. As mulheres não são anjos, mas basta ver a diferença no modo como se tocam e partilham o que são. No dia em que for vulgar ver dois homens ir juntos à casa de banho no meio de uma festa o mundo será um lugar bem mais tranquilo. (f) gostei muito do que disse o zebeirão, so que no plano civil, ou leigo, ou mundano, ou profano, não basta. Porque há policias e prisões e juizes e coisas dessas. Preciso de regras justas, e não apenas de "compreeensão e amor". Embora estas sejam indispensáveis, claro. (g) uf, estou cansado. Desculpa lá se me excedi. Aliás, desculpem todos. No fundo, estas discussões mudam-nos mais a todos do que qualquer mudança de lei (embora eu não possa dizer isso com tranquilidade à Lena e à Teresa). Se a lei mudar e nós ficarmos como estamos, será terrível também. E não sei como havemos de ser depois de mudados. Sei é que isto em que estamos não pode continuar.»

2.2.06

Educação

Pedido de um filho

Não tenham medo de serem firmes comigo, prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais seguro.
Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que quero. Só estou a experimentá-los.
Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vós para saber o que é certo ou errado.
Não me corrijam com raiva e nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se falarem com calma e em particular.
Não me protejam das consequên­cias dos meus erros. Às vezes, eu pre­firo aprender pelo caminho mais ás­pero.
Não levem muito as sério as minhas dores, necessito delas para obter a atenção que desejo.
Não sejam irritantes ao corrigir-me, se assim o fizerem, eu po­derei fazer o contrário do que me pedem.
Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Isto deixar-me-á profundamente desapontado e tentado a dizer men­tiras.
Não desconversem quando faço perguntas, senão irei procurar na rua as respostas que não encontro em casa.
Não se mostrem para mim como pessoas perfeitas e infalíveis. Ficarei extremamente chocado quando descobrir algum erro vosso. Não digam que os meus temores são tontarias, mas sim, aju­dem-me a compreendê-los.
Não digam que não me conseguem controlar. Eu julgarei que sou mais forte.
Não vivam apontando-me os defeitos das pessoas que me cer­cam. Isto criará em mim desde cedo um espirito intolerante.
Não desistam de me ensinar o bem, mesmo que pareça que eu não aprendo.
Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Tenho o meu próprio modo de ser. Mas preciso quem me ajude a corrigir.
Se eu errar corrijam-me. Mas, sempre que senti­rem que mereço, façam-me sentir o vosso apreço.
Autor desconhecido

28.1.06

Alma Gémea


Determinada rapariga sonhava com o seu príncipe encantado. Mas os anos iam passando e não mais ele vinha procurá-la.
Resolveu então partir a ver se o encontrava.
Despediu-se da família e amigos e foi em sua demanda.
Muitos anos depois, regressou sozinha e desanimada. Todos lhe perguntavam:
– Encontraste aquele que procuravas ?
Sim, encontrei. Encontrei aquele com quem sonhava. Era na verdade uma perfeição de sonho, era o homem perfeito...
– Bem, filha, onde está ele?
– Ah, mãe, que tristeza ! Ele também andava à procura da mulher perfeita !!!

25.1.06

Um direito humano

O direito ao crédito

"Colocar o "direito ao crédito" na carta fundamental dos direitos do Homem é o próximo desafio de Muhamad Yunus, o criador do minicrédito.
Impossível? Talvez não. Para quem acredita há 30 anos que "é possível transformar utopias em realidade", nada é impossível.
Afinal quando, em 1997, o "pai" do microcrédito conseguiu impor nos objectivos do milénio a meta de passar de 7,5 milhões de beneficiários do microcrédito para os 100 milhões até 2005, muito poucos, para além dele próprio, acreditavam.
"Oito anos passados não só atingimos essa meta como julgo que a teremos mesmo ultrapassado, com um terço a sair da pobreza", disse, pleno de satisfação, o fundador bengali do Grameen Bank, falando para uma plateia de responsáveis governamentais e instituições de solidariedade nacionais, que despertam para a potencialidade do microcrédito.
Porquê lutar pelo direito ao crédito? "O meu argumento é o seguinte: não adianta consagrar o direito à saúde, ao trabalho, à educação, tudo óptimas ideias, se todos sabemos que os Estados não têm dinheiro suficiente para fazer cumprir todos esses direitos. O que é importante, o direito fundamental, deve ser capacitar os indivíduos com os meios que lhes permitam ser autónomos, criando o seu próprio emprego".
E para quem não perceba, Yunus relembra que todos os homens nascem com a mesmas ferramentas, a mesma criatividade.
"Os pobres são apenas pessoas a quem tiraram o direito a ter espaço para se desenvolver. Tal como as árvores se forem colocadas em vasos pequenos sem espaço para crescer nunca ultrapassam um determinado tamanho".
O microcrédito, diz, é o espaço para crescerem.
Dos jornais

17.1.06

Mas as crianças, Senhor...

A matança dos inocentes continua

Vítimas de uma enorme variedade de tragédias e abusos, 860 milhões de crianças no mundo vivem em um permanente pesadelo, enquanto que seu futuro é uma incógnita.

Quando se fala dos direitos das crianças, fala-se de um problema que afecta 2,2 bilhões de seres humanos. Vítimas da fome, da Sida, do abandono, da ignorância e da solidão, são o escândalo de nosso tempo. Para 860 milhões de crianças no mundo, o futuro é uma incógnita, o presente um pesadelo; foi-lhes «roubada a infância.
A notícia que tem em conta dados de organismos internacionais, revela que o número de crianças-trabalhadoras chega a 211 milhões entre 5 e 14 anos de idade; delas, 120 milhões trabalham a «tempo completo». A maior parte --171 milhões-- em condições arriscadas. A Ásia é o continente mais afectado por este fenómeno.
O documento denuncia também que na raiz de muitas formas de exploração está o facto de que os países mais pobres entre aqueles em vias de desenvolvimento, mais de 50 milhões de crianças nem sequer são registradas quando nascem.

8.1.06

Casamento

Por concordar com o autor e o achar com interesse, deixo aqui este texto para quantos o não puderam ler. E, se quiser, deixe a sua opinião

«É falso que o casamento heterossexual seja ilegitimamente discriminatório. Em democracia, as minorias devem ser respeitadas, mas não podem decidir em nome da maioria.»
O Expresso da semana passada reabriu o debate sobre o casamento entre homossexuais. Do ponto de vista da política nacional e das eleições presidenciais, não é seguramente uma questão prioritária - como, aliás, apenas um dos candidatos sublinhou. Mas, no plano intelectual e mediático, é uma questão que vem ganhando relevância. É neste plano que me proponho discuti-la. Por limitações de espaço, deixo por agora de lado as questões morais.
O principal argumento que tem sido apresentado para justificar o casamento entre homossexuais é o da não discriminação. A lei deve tratar os indivíduos como iguais, independentemente da sua raça, sexo, opiniões políticas ou credos religiosos. Logo, se a lei reconhece o casamento heterossexual, terá de reconhecer igualmente o casamento homossexual.
Este argumento contém, pelo menos, duas dificuldades.
Declive escorregadio A primeira é a do proverbial «slippery slope» (declive escorregadio). Se aceitássemos o referido argumento como conclusivo - e não apenas como presuntivo - ficaria aberto o caminho para termos de aceitar todas as bizarrias como «casamentos», desde que isso fosse reclamado consensualmente pelos interessados: os «casamentos» poligâmicos, os «casamentos» poliândricos, os «casamentos» incestuosos, etc. Por outras palavras, o contrato específico a que chamamos casamento perderia toda a sua especificidade e passaria a designar qualquer coisa que um grupo minoritário, consensualmente entre si, reclamasse como «casamento».
A segunda dificuldade - que, em rigor, explica a dificuldade anterior - consiste em observar que o argumento da não discriminação está formulado de forma incompleta. Quando se diz, por exemplo, que um empregador não pode discriminar candidatos a uma função com base no sexo, o que se supõe é que, para essa função, o sexo do candidato não é relevante. Mas, se o sexo for considerado relevante para a função em causa, o empregador pode e deve escolher homens em vez de mulheres, ou mulheres em vez de homens. Sobretudo, pode fazê-lo com toda a legitimidade, sem estar a promover qualquer tipo de discriminação ilegítima.
Discriminações legítimas É por isso que, por exemplo, nenhum homem protestará em tribunal por não ter sido contratado para a função de modelo de roupa feminina. Para essa função, o sexo é considerado relevante. É também por isso que nenhum adolescente protestará em tribunal por não lhe ser concedida a carta de condução - ainda que possa demonstrar saber conduzir. Para essa função, a idade é considerada relevante.
Isto significa que, no caso do casamento - tal como no dos modelos, ou das cartas de condução -, não basta falar em discriminação. É preciso saber se a variável discriminatória (o sexo ou a idade, nos exemplos referidos) é ou não relevante para a função em apreço. No caso do casamento, é preciso saber se o sexo dos parceiros é ou não relevante para a definição de casamento perante a lei.
Ouvir a maioria Pode agora ser ripostado que o casamento é uma convenção social e que, por isso, saber se o sexo dos parceiros é ou não relevante é uma matéria de opinião e, por isso, mutável. Será assim, até certo ponto. (Da mesma forma que, até certo ponto, são convenções, e, portanto, até certo ponto, matérias de opinião, os artefactos que constituem uma civilização. Isto, por outro lado, já sugere que as convenções - designadamente as convenções civilizacionais -, pelo facto de serem convenções, não são necessariamente arbitrárias ou equivalentes. Mas é um facto que podem ser alteradas. Como também é um facto que algumas dessas alterações conduziram no passado ao declínio de civilizações).
Se for assim, porém, isso significa que é falso que o casamento heterossexual seja, só por si, ilegitimamente discriminatório contra os homossexuais. Em democracia, resta saber se a maioria considera ou não que o sexo dos parceiros é relevante para a definição do casamento perante a lei. Em democracia, as minorias devem ser respeitadas, mas não podem decidir em nome da maioria.
João Carlos Espada - «Expresso» desta semana

2.1.06

O complexo de esquerda

Assino estas palavras

Por concordar com o autor, deixo aqui a sua mensagem:

«Permitam um desabafo gostava de ser de esquerda.Quando ouço os líderes falar sobre os seus objectivos, sinto uma identificação sincera e atenta. A sua preocupação declarada são os mais pobres, os que menos têm e menos podem. Que propósito político é mais digno e elevado? Reformados, imigrantes, operários, trabalhadores em geral são a sua luta, de uma forma que nenhum outro partido iguala.Então não tenho dúvidas sou de esquerda. Depois passam aos meios para esse objectivo, e aí começam as divergências. Divergências que são entre esses meios e os interesses que dizem defender.Existem cinco grandes contradições na esquerda.Primeiro, uma questão filosófica. Um pobre é sempre pragmático. A necessidade aguça o engenho e os carenciados são astutos gestores dos magros haveres, com uma lucidez e imaginação que ultrapassa a dos grandes empresários. Mas não existem forças políticas mais dogmáticas que as de esquerda. Presas a conceitos abstractos e modelos arcaicos, ligam à retórica ideológica e não à eficácia concreta.O que interessa são "direitos adquiridos", "conquistas inalienáveis", mesmo que isso atrase o de-senvolvimento e aumente a pobreza e o desemprego. Segundo, uma questão económica. Na análise económica os disparates são esmagadores.Dominados por teorias obsoletas e desqualificadas, insistem em chavões populistas, em geral desmiolados, sem qualquer eficácia na defesa dos reais interesses dos mais pobres. É incrível como o modelo intelectual da esquerda continua a responder à situação industrial de Oitocentos.Os exemplos aqui são miríade.A imperiosa luta contra o capital e a visão conflituante da empresa são impostas independentemente dos reais interesses dos trabalhadores. Essa fúria espanta o capital nacional e externo e contribui poderosamente para a paralisia e atraso.A defesa da intervenção do Estado, toda paga com impostos dos trabalhadores, tem criado e mantido enormes desperdícios e abusos. A ignorância das radicais mudanças recentes, por exemplo na natureza do capital, leva-os a atacar a poupança dos pobres, que compõem os famigerados fundos mobiliários que popularizaram o mercado financeiro.Estas não são questões de opinião. São simples erros técnicos.Terceiro, uma questão mundial. A esquerda nasceu aberta e internacionalista. Enfrentando a tacanha cobiça nacional das potências, afirmava uma visão transversal e solidária da humanidade. Depois deixou que esse internacionalismo fosse capturado pelo interesse nacional de potências particulares, URSS ou China, pervertendo a generosa inspiração inicial.Agora, paradoxalmente, virou proteccionista numa luta míope e retrógrada contra a globalização, mais uma vez sem atenção aos reais interesses dos menos favorecidos. A abertura dos têxteis chineses, por exemplo, beneficiaria muito todos os pobres nacionais, que se vestiriam muito mais barato. Porquê insistir na manutenção de indústrias obsoletas e dispendiosas?Em quarto lugar aparece a recente opção da esquerda na luta contra a família. Depois do seu falhanço económico, que fez esquecer velhos mitos da "sociedade sem classes" e "ditadura do proletariado", passou a promover o aborto, eutanásia, uniões de facto, prostituição, casamento e adopção por homossexuais, etc. Estas não são causas dos pobres, mas bandeiras de burgueses debochados em juventude retardada. Pelo contrário, os mais desfavorecidos precisam de uma política clara de apoio à família, a mais antiga e segura forma de segurança social. Mas esta é a única medida omitida no palavroso programa do actual Governo socialista. Finalmente, surge a velha opção da esquerda contra a religião.Também aqui se trata, não de interesse dos pobres, mas de manias de intelectual pedante. Por causa desta irritação espúria contra a fé, a esquerda tem perseguido e até chacinado milhões de pobres e destruído a base cultural e social da sua vida. Por todas estas razões mantenho a discordância. Mas sinto que não sou de esquerda por razões de esquerda.»
João César das Neves

30.12.05

Bom Ano para todos!

Dar atenção à rosa

Uma mulher comprou uma roseira, plantou-a no seu jardim e passou a regá-la todos os dias para ela pegar. A roseira cresceu e já se podia perceber o primeiro botão de rosa quando, analisando o caule cheio de espinhos, a mulher pensou:
“O vendedor enganou-me. Vendeu-me uma roseira demasiado espinhosa!” Entristecida com a sua descoberta, desprezou a roseira e, antes mesmo de desabrochar a primeira rosa, ela morreu.

Assim acontece muitas vezes. Olhamos para os espinhos e não deixamos descobrir a rosa que há em nós ou nos outros. Dentro de cada alma há uma rosa – as qualidades dadas por Deus, e também os espinhos – as nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos ou para os outros e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Um dos maiores dons que se pode possuir é a capacidade de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras qualidades. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza de sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.
Esta é a característica do amor. Portanto, sorria e descubra a rosa que existe dentro de si e também dentro das pessoas que a rodeiam.

Bom Ano Novo para todos!

21.12.05

A magia do Natal

Gosto do Natal

É verdade. Gosto do Natal e de tudo o que o rodeia. Gosto da alegria das crianças. Do convívio em família. E até do Pai Natal e suas prendas. Sobretudo depois que vi que é a personificação dum santo bispo cristão.
São Nicolau ou Santa Claus foi Bispo de Mira (actual Turquia), tendo nascido na Ásia Menor, no século III. Celebrizou-se pela sua dedicação e sincera bondade. A devoção popular atribui-lhe inesgotável generosidade, sobretudo para com as crianças mais carenciadas. A sua popularidade é atestada pelas muitas igrejas que lhe são dedicadas: em Roma existem mais de 60 igrejas com o seu nome e na Inglaterra mais de 400.
Segundo a lenda, o pai de Nicolau era muito rico, deixando para o filho enorme fortuna. O futuro santo, sempre generoso, soube que um vizinho estava em dificuldades para dar um casamento digno à sua filha e, durante a noite, às escondidas, encheu uma pequena bolsa de moedas, que atirou pela janela da rapariga.
Mais tarde, repetiu o gesto com a segunda filha. À terceira vez, o pai da rapariga descobriu o gesto de Nicolau, que passou a ser imitado pelos pais, nos dias de darem as prendas de Natal aos filhos.

18.12.05

Criança sofre

Angola continua a ser
um dos piores países para ser criança

O dado consta no relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado "A situação mundial da infância 2006: Excluídas e invisíveis", divulgado ontem. Segundo esta agência das Nações Unidas, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos em Angola é a segunda mais elevada do mundo entre menores de cinco anos. «Só em 2004, morreram em Angola 195.000 crianças com menos de cinco anos», observa, frisando que este indicador mantém-se nos níveis de 1990 (260 por cada mil). Registo de nascimento O relatório assinala que um quinto das crianças angolanas (22 %) estão envolvidas no trabalho infantil e apenas um terço (19 %) possuem registo de nascimento, factores que as torna «virtualmente invisíveis para a sociedade. A esperança média de vida é também mais reduzida em Angola (41 anos) do que nos restantes países africanos, muito distante de Cabo Verde com 71 anos. A esperança média de vida na África subsaariana é de 46 anos, contra os 67 a nível mundial Para a UNICEF, «centenas de milhões de crianças de todo o mundo são vítimas de graves formas de exploração e discriminação, encontrando-se virtualmente invisíveis para a sociedade». «Se não lhes for prestada maior atenção, milhões de crianças continuarão esquecidas, prisioneiras de uma infância em que impera o abandono e os maus tratos, o que pode ter consequências devastadoras para o seu bem-estar a longo prazo e para o desenvolvimento dos países onde vivem», sublinha a agência internacional. Em síntese, alerta que a pobreza, a governação fraca, os conflitos armados e o HIV/SIDA são as principais causas de exclusão das crianças no mundo».
( Jornal Apostolado)

14.12.05

Gostei deste post

Mártires da Fé


No século XVII alguns Cristãos serviam fielmente a Cristo numa ilha do Japão.Segundo o missionário Tim Johnson, um líder de provincia, chamado Shogun, decidiu que esses homens eram uma ameaça para a cultura tradicional, pelo que concebeu uma armadilha.Colocou uma imagem de Jesus na rua e exigiu que os Cristãos na sua província pisassem a imagem em renúncia à sua fé. Quando o teste acabou, 26 pessoas tinham recusado fazê-lo. Foram crucificados à beira da água para todos verem.Num país como o nosso, chamado de "cristão", quantos superariam este teste?

12.12.05

DIÁLOGO COM OS FILHOS

Não ter tempo


«Sabes, meu filho,
Até hoje não tive tempo para brincar contigo.
Arranjei tempo para tudo,
Menos para te ver crescer.
Um dia vieste com o caderno da escola para o meu lado.
Não liguei. Continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais
São mais sérios do que os da minha casa.
Nunca vi os teus cadernos escolares,
Nem sei quem é a tua professora.
Não sei qual foi a tua primeira palavra
Também entendes... Não tenho tempo!...
E quando tenho tempo, prefiro passá-lo lá fora.
E, se o passo aqui, perco-me calado, diante da T.V.
Sei que te queixas, que sentes falta duma palavra
De uma pergunta minha,
De um pontapé na tua bola. Mas eu não tenho tempo!...
Sei que ficas aborrecido,
Porque as poucas vezes que falámos, é monólogo, só eu falo.
E, noventa e nove por cento, é para ralhar.
Quero silêncio, quero sossego!...
Como é que eu posso conversar contigo?
Sabes, filho, não tenho tempo!
Mas o pior de tudo,
0 pior de tudo é que... se morresses agora, neste instante,
Eu ficaria com um peso na consciência,
Porque até hoje , nunca arranjei tempo para brincar contigo.
E, na outra vida, por certo,
Deus não TERÁ TEMPO de me deixar Pelo menos, ver-te».

Autor desconhecido

6.12.05

Já cheira a Natal

NÃO BASTA DAR

Para agradares a Deus,
Não basta dar: é preciso
Que, àquilo que dás, ajuntes
Uma lágrima ou um sorriso.

Quem mata a fome às crianças
Tem o seu sonho seguro.
Por cada tostão de amor
Deus lhe dará cem de juro.

S. Martinho deu metade
Do seu manto a um pobrezinho.
Quem quiser que Deus o ajude
Faça como S. Martinho.

Não veja a tua mão esquerda
Aquilo que a outra deu.
Quanto mais se esconde a esmola,
Mais ela é vista do Céu.
Eugénio de Castro

27.11.05

Contributo amigo

Os 10 mandamentos do educador

A caríssima Rosário, minha colega de profissão, fez-me chegar este precioso contributo, que muito agradeço, e se baseia nos Decálogo cristão:

1 - Amar. Amar sobre todas as coisas a criança, os homens, Deus.
2 - Não se irritar em vão; pelo contrário, ter muita paciência.
3 - Guardar o respeito devido à personalidade infantil.
4 - Honrar a virtude: dar sempre à criança o exemplo da Caridade, da Justiça, da Humildade.
5 - Não matar a iniciativa e o entusiasmo infantil.
6 - Guardar uma janela aberta aos ideais elevados e um coração sensível aos afectos puros.
7 - Não se furtar a trabalhos e canseiras.
8 - Não levantar dificuldades à manifestação espontânea dos interesses e das tendências infantis; mas, ao contrário, favorecê-las, para melhor as poder dirigir.
9 - Não desejar fazer tudo em um só dia. A educação é obra de persistência e continuidade. Em educação, gastar tempo é ganhá-lo.
10 - Não cobiçar elogios e honrarias, nem sequer compreensão; mas trabalhar na certeza reconfortante de que educar é contribuir para a felicidade dos homens e dos povos.

25.11.05

Quais os melhores métodos educativos?

Estado da questão
Sou professora e lido, há já alguns anos, com alunos que me deixam entender como são diversos os métodos educativos das famílias.
Sei que os métodos e as filosofias relacionados com a educação dos filhos têm sido assunto de acalorado debate e desacordo durante séculos. E têm oscilado regularmente entre a disciplina severa e opressiva e a permissividade pura.
Quem lida diariamente com estas crianças e jovens, decerto já compreendeu que ambos os extremos deixam cicatrizes indeléveis. O que não sei dizer é qual deles é mais prejudicial.
O público tem estado sujeito a muitas opiniões extrava­gantes sobre disciplina infan­til. Cada um, desde a avózinha até ao homem da política, tem a sua própria opinião sobre a maneira de educar as crianças e, o que ë pior, os especialistas têm frequente­mente estado em con­tradição entre si. E nós os professores, que temos de lidar com esta gente nova, é que pagamos as favas.
Tenho a minha própria maneira de lidar com os "casos difíceis" gerados por nefastas formas de educar, mas nem sempre dá resultado.
Este post, e talvez outros futturos, é fruto deste mal-estar.

22.11.05

Beijos na escola

Uma questão de bom senso


Era verdade mas parecia mentira: o telejornal principal de um grande canal de televisão estava há largos minutos a falar do caso de duas alunas de Vila Nova de Gaia que se queixavam de ter sido impedidas de se beijarem na escola.
Como era domingo, pensei tratar-se de uma questão de falta de assunto: é preciso encher os telejornais com alguma coisa.
Só que, no dia seguinte, e no outro, e no outro, os jornais dedicaram ao caso razoável espaço - e os colunistas começaram a prestar-lhe atenção.
A questão tornou-se mais séria do que parecia.
Já não estava em causa o episódio (um tanto caricato) da troca de beijos entre duas alunas do Norte: estávamos perante uma questão simbólica.
O problema era este: as manifestações de homossexualidade devem ser ou não permitidas no interior das escolas?
Os velhos fantasmas da escola repressiva do tempo de Salazar e da discriminação dos homossexuais vinham de novo à tona.
Podiam ou não duas alunas (ou dois alunos) beijar-se livremente no pátio dá escola?
Para me situar no problema, pensei noutras situações.
O que faria eu se dois jornalistas do Expresso, do mesmo sexo ou
de sexos diferentes, se dedicassem com regularidade a trocar carícias na redacção?
O que faria o comandante de uma unidade se dois soldados do mesmo sexo ou de sexos diferentes trocassem habitualmente beijos na parada do quartel?
O que faria o encarregado de um hipermercado se dois empregados do mesmo sexo ou de sexos difererítes se abraçassem constantemente na área comercial?
Creio que a resposta a estas três perguntas não será objecto de grande polémica.
Porquê, então, tanta indignação relativamente ao caso da escola de Gaia?
Isso tem que ver com uma certa imagem que se criou. Imaginámos duas jovens alunas da província, a sair da idade da inocência, dando expressão. a uma afectividade quase pura, serem barbaramente reprimidas por uma estrutura escolar retrógrada, provinciana, fascizante.
Sucede que as alunas não são propriamente adolescentes: uma tem 18 anos e a outra 17.
Não são as duas de Gaia: uma é brasileira e a outra portuguesa. Trata-se de duas mulheres, portanto, já com alguma experiência. E, nessas circunstâncias, é impossível não saberem que há ocasiões e lugares para tudo.
Há coisas que se fazem em casa e não se fazem na rua, à frente de toda a gente.
Há gestos que se fazem em locais discretos mas se evitam no meio da praça pública.
Até por pudor.
De respeito pela nossa intimidade – e respeito pelos outros. Falar de discriminação sexual e de autoritarismo a propósito deste caso será, portanto, mais do que um exagero, um disparate.
À força de nos querermos mostrar "modernos" e "politicamente correctos", caímos por vezes no ridículo.
Porque não é obviamente recomendável que se troquem carícias no pátio de uma escola, como não é razoável fazê-lo no local de trabalho ou na parada de um quartel.
Mais que não seja, por uma questão de bom senso.

José António Saraiva. (Expresso, 19-11-2005)

21.11.05

Momento de poesia

CRISTO E EU


Eu, peregrino. Ele o caminho.

Eu, a pergunta. Ele a resposta.

Eu, a sede. Ele a fonte.

Eu, tão fraco. Ele a força.

Eu, as trevas. Ele a luz.

Eu, o pecado. Ele o perdão.

Eu, a luta. Ele a vitória.

Eu, o inverno. Ele o sol.

Eu, doente. Ele o milagre.

Eu, o grão de trigo. Ele o pão.

Eu, a procura. Ele, o endereço.

Meu passado e meu presente:
em suas mãos.

Meu futuro: todo dele.

Eu, no tempo...

E CRISTO a Eternidade

19.11.05

O culto a Maria

Afinal, não estamos longe uns dos outros!...

Achei muito interessante o post de VER PARA CRER sobre o que pensavam acerca do culto a Maria, Mãe de Jesus, os fundadores do protestantismo.
Sobretudo a referência a Martinho Lutero, no "Comentário do Magnificat" :

"Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amén."

Sempre ouvi dizer que os protestantes não acreditam nem nos santos nem na Virgem Maria!
Que dizem sobre isto os nossos irmãos separados?